EMOÇÕES: VIVÊ-LAS OU EVITÁ-LAS? - por: Maria Beatriz Zambon Montans
- Horeb Silva
- 6 de fev. de 2025
- 2 min de leitura

Provavelmente, seja uma das experiências mais difíceis do ser humano, aprender a lidar com as próprias emoções! Principalmente considerando a Sociedade atual, que nos incentiva a estar sempre ‘pensando positivo’, ‘deixando a tristeza de lado’, quase determinando de modo imperativo: ‘seja produtivo e eficiente a qualquer custo’! Cobrança injusta!
Emoções são parte do humano! E, como tal, precisamos ter condições para viver as emoções! O mais comum é assistirmos as pessoas evitando as emoções para “não criar confusão” como se, expor as emoções fosse sempre sinônimo de conflito! Penso que esta vida atribulada de excessos de atividades, de compromissos e deveres, com uma velocidade absurda, tem dificultado a possibilidade de apreciar momentos preciosos de contato com a experiência emocional que, certamente, está implicada em todas as atividades que realizamos. Parece que só tem valor aquilo que apresenta um resultado imediato e concreto!
Viver as emoções, subentende-se que precisamos nos conhecer, respeitar nossos sentimentos, assim como reconhece-los nos outros! Experiência que leva tempo…. Vivência que é aprendida ainda na infância quando as mães, ou a pessoa que cuida, ajuda a criança a reconhecer e nominar as próprias emoções; até que, ao longo do tempo, com as experiências vividas no brincar, no contato com as pessoas que são significativas emocionalmente, pode internalizar essas experiências. A ‘educação’, por vezes, acaba ‘abafando’ a possibilidade de expressar os sentimentos. Coloquei ‘educação’ entre aspas, propositadamente, porque a verdadeira educação, não é a que proíbe a expressão, mas a promove a possibilidade de aprender a lidar com as próprias emoções, pensar na forma como pode ser expressada e não, simplesmente, evitá-las.
É de conhecimento público o quanto “engolir sapo faz mal à saúde! ”. A sabedoria popular é pródiga em ditados que falam verdades através de metáforas! Quantas vezes sentimos que “a cabeça parece que vai explodir”, “isso me causa enjoo”, “estou enfezado! ” Ora, são todas expressões que comunicam uma emoção que não pode ser expressada de forma eficaz, e que, apesar de ser “difícil de engolir”, acaba tendo o próprio corpo como destino!
Conhecer a si mesmo, é um processo difícil, demorado e muitas vezes, doloroso! Certamente por isso muitas pessoas acabam “deixando pra lá”! E, com grande frequência, passam a reclamar que ‘os outros’ não lhe dão atenção; quando nem ele próprio está dando atenção às suas vivências emocionais! Sim, porque é disso que está se falando quando se reclama por atenção!
A Psicanálise se propõe justamente a contribuir com estas questões! Não estaria aí a possibilidade de dar um novo sentido à própria vida: conhecer a si mesmo permitindo-se viver suas próprias emoções?




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